
Neste 25 de novembro, a diretoria do Sintesfal reafirma que nenhuma sociedade pode se considerar justa enquanto mulheres continuam sendo violentadas, silenciadas ou tratadas como alvo de opressões que atravessam gênero, classe e raça. A violência contra a mulher não é um problema individual, mas a expressão de desigualdades estruturais que só serão enfrentadas com mobilização social, políticas públicas sérias e um Estado verdadeiramente comprometido com a vida.
A realidade em Alagoas é dura e exige resposta imediata. Até meados de 2025, foram registradas 1.881 violações de direitos contra mulheres no estado, incluindo situações graves como exploração sexual, tráfico de pessoas, maus-tratos e outras formas de violência que ferem diretamente sua integridade (Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania / alagoasnanet.com.br). Desse total, apenas 234 casos se converteram em denúncias formais, revelando o abismo da subnotificação e o medo que ainda impede tantas mulheres de buscar ajuda.
O histórico do Ligue 180 também evidencia a dimensão do problema. Em 2024, Alagoas registrou 10.633 atendimentos, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. As denúncias cresceram de 1.494 para 1.725, um salto de 15,4% (Ministério das Mulheres / Secretaria de Comunicação da Presidência da República). A violência persiste, e os dados demonstram uma demanda crescente por acolhimento, proteção e políticas efetivas.
O boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde traz outro alerta: entre 2020 e 2024, 371 mulheres foram assassinadas em Alagoas, das quais 131 foram vítimas de feminicídio. Embora a taxa de feminicídio tenha caído de 2,1 para 1,3 por 100 mil mulheres, cada vida perdida representa uma tragédia irreparável e um chamado urgente à ação (SESAU / SINAN – Boletim Epidemiológico Alagoas).
Neste dia, também honramos a memória das irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, brutalmente assassinadas em 1960 por enfrentarem a ditadura de Trujillo, na República Dominicana. Símbolos internacionais de coragem e resistência, elas nos lembram que o combate à violência é inseparável da luta política, da defesa da democracia e da garantia de direitos.
A diretoria do Sintesfal se posiciona ao lado das mulheres com firmeza e responsabilidade. Não aceita retrocessos, descaso ou a naturalização da violência. Defende:
•o fortalecimento das delegacias especializadas;
•a ampliação e qualificação da rede de acolhimento;
•investimentos contínuos em políticas de prevenção;
•e a aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha em todo o estado.
Para a presidente do Sintesfal, Edileide Salustiano, proteger vidas não é um gesto de caridade, mas um dever do poder público e um compromisso ético de toda a sociedade.
“Seguiremos lutando para que nenhuma mulher seja deixada sozinha diante da violência e para que a dignidade seja um direito real, e não apenas uma promessa.”